quarta-feira, 3 de junho de 2009

Canção de Amor



Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.

Rainer Maria Rilke

3 comentários:

Mai disse...

Cordas, paralelas, simétricas afinadas em tons distintos e, em harmonia, compõem acordes geniaisde uma bela canção de amor.

Não conhecia a autora.

Beijos,
Mai

Maria disse...

Não conhecia também. Aliás, vc Paulo vive me mostrando coisas novas, uma delícia.

O verso é lindo, lindo mesmo. Apaixonante.

Meu beijo

Mai disse...

Como ou de que modo segurar a alma?
Como não sentirmos o halo de almas afins?
Ah!
Nem sei se o tanto que sinto me faz igual ou estranha ao comum mas do que sinto , sei, é muito e é sempre, sabe, Paulo.
E isto tem um custo dos diabos de grande.
Por vezes é puro deleite noutros instantes é de uma dor desmesurada e não cabe conter, parece que nada é capaz de reter, segurar para que o que sente a outra alma, não me toque, não me leve a sentir, emocionar-me, desejar tocar, afagar...

É assim que se dá no tanto que se dá e que me dá, também.

Beijos, querido.
Fica bem
Mai