terça-feira, 8 de setembro de 2009

Alberto - O Guardador de Rebanhos


Fotografia: Pereira Lopes
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…
Fernando Pessoa - 08/03/1914

4 comentários:

Mai disse...

Este é dos melhores do "Pessoa".
Mas onde anda esta pessoa que tanto amo?

Dá-me notícias, amigo!!

Carinho,

O que Cintila em Mim disse...

Paulo, também eu estive em tua casa e amei cada canto dela.

Rachel

Maria disse...

Sem definições. Daquelas poesias em que não é possível destacar um verso somente... é incrível, é crescente, envolvente. Você vive me apresentando novas poesias que estarão entre as preferidas =D

Beijo meu =*

Mai disse...

Oi, querido,
queria saber de ti. Como estás, onde andas.
Saudades.
Dá-me notícias.
Fica bem