
Não há como dissociar os termos Inclusão Social e Exclusão Social, para se pensar sobre essa problemática deve-se considerar que o processo exclusivo sempre se fez presente em todas as civilizações desde a antiguidade. O termo exclusão social, é complexo, há uma grande dificuldade em se criar uma definição geral, é um fenômeno que abrange várias formas e níveis, dependendo da situação e do momento político, econômico e social, do local ou região em que esteja inserido.
Atualmente podemos definir com maior facilidade essas formas e a dimensão desse conjunto de problemas, que com a evolução sofreu modificações marcantes, resultando num aumento progressivo desses sujeitos sociais. Nota-se que a exclusão não é provocada apenas por termos econômicos, é gerada também nos campos político, étnico, sexual, educacional, psicológico e em vários outros setores. Suas causas são amplamente conhecidas e estudadas.
Independente do conceito específico e de sua categoria, os seus efeitos despontam, gerando basicamente a falta de necessidades materiais, desigualdades sociais, psicológicas, culturais, e espirituais, afastando cada vez mais seres humanos das mínimas condições necessárias de sobrevivência, deixando-os sem condições de reverter essa situação. Conseqüentemente surgem poderes paralelos, à margem do estado de direito, buscando dar sobrevivência a esses excluídos, ameaçando criar um apartheid, uma divisão entre indivíduos miseráveis e “ousados”, e outros tidos como, “privilegiados” e temerosos.
Todos esses fatores levam à reflexão e a discussão no sentido de se encontrar soluções que conduzam à inclusão desses indivíduos na sociedade, despertam-se novas consciências, dispostas a superar todas as formas de exclusão. Sem fórmulas mágicas e diante da inoperância do Estado em encontrar resultados realmente eficientes, e não de utilizar-se de programas aliados da miséria que trazem a continuidade dessas condições, destaca-se a organização da sociedade civil buscando resolver a situação, implementando assim políticas próprias e reivindicando junto ao Poder Público a sua responsabilidade.
O sistema social atual é questionável e superado. O acesso a bens e serviços é impossível a todos. A distribuição de renda é legítima, porém injusta. O Estado como provedor e as políticas de apoio e solidariedade representam a única salvação para muitos dos excluídos, mas são paliativas.
Deve-se buscar um novo modelo baseado na valorização do ser humano e seu potencial, com compromissos éticos visando os interesses coletivos, tendo a educação como alicerce e fator transformador, assegurando os meios para a formação do caráter de cada indivíduo com a intenção consciente voltada aos interesses da comunidade, assim começa-se a reconstrução de uma nova sociedade buscando eliminar distancias entre pessoas e classes, aonde as oportunidades sejam acessíveis a todos em termos iguais, tendo o reconhecimento dos interesses mútuos como fator de controle social. A valorização da educação e seus profissionais é essencial, pois ela é a força motriz, a base única, para o desenvolvimento sustentável, sendo crucial e de prioridade absoluta para qualquer programa social, pois incide diretamente na qualidade da representação política, na forma da distribuição da renda, no desenvolvimento econômico, nos parâmetros de justiça social e na capacidade de discernimento dos indivíduos.
De outra maneira nenhum tipo de inclusão se faz permanente, e todos correm o risco de serem esmagados pelas mudanças em curso, mesmo os desapercebidos.